Dos ídolos de barro aos ídolos de auditórios: o risco que ronda o movimento espírita.

  • 27/04/2016
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Dos ídolos de barro aos ídolos de auditórios: o risco que ronda o movimento espírita.

Chega mesmo a ser surpreendente o comportamento da criatura humana em sua dimensão antropossociopsicológica. Oscila do amor ao ódio e do ódio ao amor de modo, às vezes imperceptível, e veloz; e a Doutrina que antes era demoníaca de repente alcança status de religião da moda. Os Centros Espíritas, ou os eventos espíritas que reúnem oradores “consagrados”, se veem cheios de pessoas que fazem selfies na plateia, posam ao lado dos tribunos, ostentam frases de efeitos em suas páginas de redes sociais e aplaudem com muito vigor. Na internet fazem comunidades e grupos e tornam-se seguidores, publicam e compartilham vídeos, mas sempre com um discurso materialista de que aquele trecho “serve pra uma pessoa ali”.

Mas, o maior dos inconvenientes não está no comportamento dos “simpatizantes espíritas”, e sim na forma com que homens e mulheres de grande persuasão na oratória espírita tem se comportado em relação ao legítimo movimento espírita, feito por aqueles que quase ninguém sabe os nomes porque ao invés de estarem nas janelas das redes sociais, encontram-se no anonimato das casas espíritas no trabalho árduo, que vai desde limpar e preparar o espaço físico, até as atividades de atendimento fraterno, passes, reuniões mediúnicas, doutrinárias e etc…. A estes tornam-se inacessíveis, distantes, surdos e mudos.

Inúmeros são os convites e solicitação de apoio a este e aquele nobre orador ou expositora para que se disponha a estar entre os centros pequenos, nas cidades do interior, em locais onde o esforço para se chegar é maior, logo a nobreza da tarefa também tende a ser, porém os pedidos são negados, uma vez que a impressão dos grandes auditórios, dos aplausos, da quantidade de livros que se pode vender em certos eventos, a repercussão na mídia que aquele trabalho vai causar, pesa na hora de aceitar este e aquele convite. Onde os holofotes não estejam, convite negado.

Allan Kardec viajava uma vez ao ano durante um mês inteiro para visitar o maior número possível de grupos espíritas já existentes. Paulo de Tarso, com ainda mais dificuldades que Kardec, não se absteve de ir aos gentios e a todas as gentes que dele necessitavam. Quantas vezes o apóstolo não se deslocou até onde nem existiam plateias para edificar a Boa Nova! Nos tempos de agora assistimos a algo curioso, estranho e que não ajuda o ideal de união dos espíritas e unificação do movimento espírita. Seguimos copiando o modelo de outras escolas religiosas e do próprio materialismo, quando a bem da verdade, é o Espiritismo quem tem o que legar ao mundo quanto a uma nova forma de encarar a vida em suas dimensões.

A seriedade e a simplicidade da Doutrina dispensam o proselitismo e a autoprojeção que alguns tantos se preocupam em trabalhar. Esses, discretamente, atendem mais ao seu ego que à divulgação do Espiritismo, uma vez que só a fazem se tiver esta e aquela estrutura, desde sua locomoção, hospedagem e local onde vai falar. É preciso, com urgência, observar e com muita serenidade equacionar essas questões a fim de que o trabalho não seja prejudicado.

Quanto aos que receberem o não, ir às obras de Kardec é o método mais seguro; reunir grupos pequenos e estudar a codificação, realizar atividades de estudo e prática do evangelho são as verdadeiras tarefas a que nos devemos voltar; trazer pra dentro de si os ensinamentos de Jesus e os apontamentos de Kardec; socorrer aflitos, promover a criatura humana, dar educação à mediunidade dos que a possuam, visitar e receber os confrades de outras casas, eis algumas das atividades que mais devem preocupar os espíritas, a fim de evitar sofrer com o intento de realizar grandes eventos, com a presença de grandes oradores, quando a grandeza real existe é no universo, em Deus, no Cristo Jesus, na Doutrina Espírita e no sentimento de amor que deve animar as nossas intenções.

Aos espíritas prossegue alguns imperativos inolvidáveis, mas entres eles o que mais desejamos destacar é este: “fidelidade a Jesus e a Kardec”, logo, nos desprendamos da adoração, veneração e comportamento de tietagem a homens e mulheres que podem falhar em sua missão a partir da impressão falsa que podemos passá-los de que eles são melhores de quem quer que seja.

Por Samuel Aguiar.

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